Antigamente, nos primórdios da Internet, usávamos os conteúdos dos mails que nos enviavam para com os textos à vista fazermos o comentário ou acrescentar. Sempre considerei esse método extremamente eficaz e gerador de uma enorme poupança de tempo.
Deixava, assim de ser necessário ter dois ou mais mails abertos e andar para trás e para a frente a ler e a responder. Para quem recebe é ainda mais eficaz porque sabe objectivamente a que se deve a resposta em causa.
Já há bastante tempo que penso em utilizar os textos do meu amigo JAB para com eles fazer algo parecido em forma de comentário.
Hoje vou fazer isso e espero que ele não me leve a mal.
Mas poderá ser um exercício interessante.
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Esclarecendo… sobre a “ sessão conjunta “.
A “ sessão conjunta da Assembleia Municipal, da Câmara Municipal de Lagos e da Assembleia da Juventude “ de 2006 deixou algumas marcas político – partidárias que, face à dignidade e elevação com que decorreu, não mereciam constar da compreensível luta partidária entre o PS e o PSD locais.
Como o designa a boa opção feita desde há muito tempo, tratou-se de uma “ sessão conjunta “. Tratou-se de uma acto voluntário de participação conjunta entre os dois órgãos autárquicos municipais a que se associou a Assembleia da Juventude: juventude que deve estar perplexa com esta quezília de manjerona político-pessoal.
Meu caro amigo, não poderíamos estar mais de acordo, eu, aliás, defendo que quem deu cabo da vida política local não foram os membros dos partidos, foi a força que essas pessoas imprimiram ao estatuto de se ser político dentro de um partido e ao abrigo desse estatuto lhes foram permitidas todas as imbecilidades.
Como o PSD, no seu último comunicado, citou parte do meu comentário a esta situação, retirado de recente artigo aqui publicado, gostaria de esclarecer o meu pessoal entendimento sobre a matéria, não só sobre a “ sessão conjunta “, como sobre algum conteúdo dos comunicados entretanto publicados.
Ainda não li o que vai escrever, mas adivinho que não ser coisa boa. Claro que lhe adianto que estou a escrever ao sabor da leitura e que para tornar essa mesma leitura eventualmente mais interessante, só lhe farei uma correcção ortográfica, ou porventura semântica.
Primeiro. Tratou-se, de facto, de uma “ sessão conjunta “ para as comemorações do 25 de Abril; comemorações para as quais terá sido constituída uma comissão organizativa, liderada pelo Presidente da Assembleia: na comissão terão sido discutidas as metodologias a ter em consideração para os actos a realizar.
Mantido, na “ sessão conjunta “, o figurino de os Partidos poderem tomar a palavra, além dos Presidentes da Assembleia e da Câmara, à comissão tão só cabe aceitar a nomeação dos indigitados para falar em nome do seu Partido ou Coligação.
Os indigitados devem, porém, sair, ou de entre os membros da Câmara, ou de entre os membros da Assembleia: nesta “ sessão conjunta “, não há predomínio de nenhum dos órgãos autárquicos, como parece sobressair do comunicado do PS.
Este foi o entendimento “ em tempos não muito distantes “ e que os tempos actuais não parece que tenham alterado, uma vez que permanece a designação de “ sessão conjunta “.
Segundo. Não se vê, por isso, como curial que seja a “ direcção dos partidos políticos “ a comunicar o seu representante à comissão; a direcção dos Partidos, em sede interna, pode recomendar aos seus eleitos na Assembleia e na Câmara a escolha do seu candidato. Mas, o escolhido terá que ser apresentado à comissão pelos seus representantes com assento nos órgãos autárquicos.
Bom, mas o que está mal é para mudar. É público que os membros dos órgãos das autarquias, sejam eles quais forem, o são porque em primeiro lugar se inscreveram como membros de um partido. Ao assumirem o lugar no órgão público não deixam de ser membros dos partidos. As polémicas recentes nas eleições autárquicas, com rotação partidária, são prova concludente disto. Convenhamos, amigo JAB, o “seu” presidente esteve, como já vai sendo hábito, bastante mal e parece um pau mandado ao sabor de não se sabe quem.
Terceiro. Nada aceitável é a tese do PSD de que a oposição na vereação foi impedida de falar: “ vereação social-democrata de Lagos impedida de discursar… “. A Câmara, quer a maioria, quer a oposição, esteve representada nos discursos da “ sessão conjunta “ pelo Presidente da Câmara: representação que deriva não só da lei, como da ética política e democrática. Com esta intencionalidade, a posição do Presidente da Assembleia não poderia ter sido outra que aquela que teve: a recusa em aceitar a pretensão da vereação PSD.
Poças, lá tenho que lhe dar razão, mas lendo bem e à segunda volta, acrescento que você tem uma arte de tornear o problema e de nos enlevar em articulações linguísticas que, deixe-me que lhe diga, são demasiado evidentes. Aqui estamos perante um exemplo. O Dr. Júlio Barroso representou a Vereação? Pelo discurso não me pareceu. Pelo pedido antecipado do PSD todos ficaram a saber, definitivamente, que não. Claro que a minha posição nada tem a ver com o PC, tem a ver com a posição assumida.
Quarto. Como cidadão, não parece que os comunicados publicados se possam incluir nas exigências de mudança de imagem dos Partidos de que o País tanto necessita e que as Cidades tanto reclamam. Mais uma vez, os partidos locais se perderam na luta pessoal, podendo embaciar, no caso em análise, o acto que se realizou de celebrar Abril.
Se há que “ elevar o discurso “, que ambas as partes o façam, para bem do seu futuro e, sobretudo, do futuro da Cidade e do Município de Lagos.
Subscrevo, total e completamente. Essa parte é reserva exclusiva daqueles que entendem comentar. Como o meu caro amigo.
Artigo publicado no Canallagos.com e assinado por José Alberto Baptista.
(Gosmas, és tão bronco que não percebes que ninguém se dá ao trabalho de ler na internet um texto desta dimensão sobre um assunto desinteressante, onde passas a vida a lamber o cu ao Baptista. Vê se aprendes, emplastro)